A pedido de muitas famílias (bem, talvez só uma ou outra, mas que para mim são das mais importantes) hoje deixo-vos com algo diferente. Espero que gostem.
"Olhava o mar. Sentado no areal,
afastara-se dos seus amigos e, somente, observava a imensidão daquele mar. Um
olhar vago.
Pensava nela, na última vez que a
vira, nas últimas palavras que trocara. Sem se aperceber, esboçava um sorriso
parvo. Tentava ocultá-lo dos amigos, razão pela qual se afastara do grupo que
animadamente conversava sobre as conquistas da noite anterior. Não era de se
apaixonar ou prender a alguém. Gostava da liberdade que a sua jovem idade lhe
permitia. No entanto, ela parecia que o tinha enfeitiçado. Não entendia como
acontecera, nem sabia quando ficara preso àquele olhar. Talvez, tivesse sido logo
na primeira vez que se apercebeu que ela existia, ou quando começaram a falar.
Ao certo, não o sabia. Porém, a certeza tinha de que ela mexia com ele.
Não podia tardar o regresso para
a toalha e para se integrar na conversa do grupo, mas algo o fez permanecer ali
mais um pouco. O telemóvel vibrou: uma mensagem dela. Mostrou um sorriso ainda
maior do que aquele que já tinha. Ela estava a tentar meter conversa,
perguntando como estavam a correr aqueles primeiros dias de férias. Todavia,
ele não respondeu. Não queria ficar mais ligado a alguém que nem se assemelhava
às raparigas com quem costumava sair. Preferia abstrair-se da estranha sensação
que sentia quando o seu pensamento voava até ela. Decidiu ignorar. Apagou a
mensagem. Olhou o mar de frente, enquanto produzia uma expiração forçada. Não
podia pensar mais nela, contudo isso não conseguia controlar. Ouviu o seu nome.
Eram os amigos a chamá-lo. Estava na altura de se juntar a eles. Levantou-se,
sacudiu a areia e correu até à toalha. Queria que todos os pensamentos que
envolvessem a rapariga ficassem à beira-mar. Nesse dia aprendeu que nem tudo
acontece só porque o queremos…
***
Ficou à espera que ele
respondesse. Olhava impacientemente o visor do telemóvel, na esperança que a
luz se acendessem em sinal da chegada de novas palavras. Tentava abstrair-se,
mas a sua atenção acabava sempre por se focar naquele retangulozinho. Não
entendia aquele silêncio. Só queria ser simpática e aproximar-se, para que
pudesse vir a ser sua amiga. Pelos vistos, ele não queria a sua amizade. O
tempo ia passando e a esperança começava a desvanecer-se. Ela recordava com
carinho a última vez que vira aquele sorriso, aquele rosto, aquele olhar.
Sentia saudades e uma vontade enorme de o abraçar. No entanto, ele parecia
querer espaço, distância.
Pegou num fino casaco, nas chaves
de casa e saiu, deixando para trás o telemóvel. Não sabia muito bem para onde
ir, apenas sabia que tinha de ir. Ir para esquecer, talvez para fugir dos
pensamentos, de si própria."
(Continua...)