Procuro-te.
Ando, avanço, recuo. Vou e volto.
Contorno rodas as curvas da vida. Desenho trajetos, nunca antes descobertos.
Derrubo, finalmente, fantasmas
que me assombram há muitos e muitos pretéritos. Afasto vislumbres irreais de
ti. Oculto aparições que tentam desviar-me do meu objetivo: encontrar-te.
Encontrar-te e ter-te, não como posse, nem como complemento. Ter-te para que
faças sobressair o melhor de mim e para que eu, no meu jeito desajeitado,
enalteça o melhor de ti. E como há tanto de bom em ti! As tuas palavras, o teu
olhar, o teu sorriso, o teu toque, tu como um todo.
Não, ainda não te encontrei.
Continuo, quase que obsessivamente, a espreitar cada canto e recanto em busca
de uma pista do teu paradeiro. Paro. Reflito. Não te encontro. Uma lágrima
vai-se libertando ao longo do meu rosto, enquanto concluo que não te sei
procurar. Devo estar a usar a fórmula incorreta, sendo esta a causa de não te ter
a meu lado. Questiono-me se não terei passado por ti r, cega por tanto te
querer encontrar, não te tenha visto. Limpo a lágrima. Sou forte. Sorrio para
que seja essa a imagem que ficará contigo, quando os teus olhos me virem pela
primeira vez.
O sol, lá longe no horizonte,
começa agora a pôr-se. O cansaço apodera-se de mim. O breu da noite torna os
contornos irreconhecíveis. A cadência da passada fica mais lenta. Sento-me.
Deito-me. Vou dormir e recuperar forças para te continuar a procurar. Não
desisto, mas descanso. Quero estar preparada para quando te encontrar e te
juntares a mim. Passaremos a ser eu e tu lado a lado. Hoje descanso. Amanhã
procuro-te.

