Quantas vezes já sorriste, quando sentias as lágrimas a quererem aparecer? Quantas vezes já marcaste presença, quando estavas totalmente ausente? Quantas vezes já fechaste os olhos, quando estavas completamente desperto? Quanto vezes já disseste “está tudo bem”, quando morrias por dentro? Em todas essas vezes recorreste às aparências.
As aparências são aquilo que
somente é visível aos olhos. O que se vê por fora, ocultando ou exteriorizando
o que vai por dentro. Aparências. Podem evidenciar o que estamos a sentir na
realidade ou camuflar quando não o queremos demonstrar. São desenhos
meticulosos, traçados ao detalhe, para exibir somente o que desejamos. São
máscaras invisíveis que não deixam transparecer os verdadeiros sentimentos e
estados de espírito. São mantos ornamentados que ofuscam para não deixar ver a
realidade. Enganam e simulam. Disfarçam e engraçam. São matreiras e falsas. São
aparências.
[É difícil passar noites em claro
e, no dia seguinte, apresentarmos-nos como se tivéssemos tido uma bela noite de
sono. É difícil ser-se forte quando já não há força que nos ajude a levantar. É
difícil dizer “olá”, sabendo que é um “adeus”. É difícil, mas são
aparências.]
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