quinta-feira, 24 de julho de 2014

Irmão*


Vi-te assim que nasceste, ser tão pequeno e indefeso. Nesse momento, soube que passaria a ter a obrigação de te proteger, de cuidar de ti, de te ajudar a crescer e, em troca, passaria a ter a honra de te amar. Foi uma alegria imensa quando me apercebi que existias e eras real. Talvez pela minha tenra idade, talvez pela emoção do momento, não alcancei, naquele instante, todas as maravilhas de fazeres parte da minha vida. No entanto, desde o primeiro segundo, senti que nunca mais iria estar sozinha, pois tinha um irmão para a vida. Era (e ainda sou) a irmã mais babada do mundo.
O tempo foi passando e tu foste crescendo. Eras uma criança traquina e muito irrequieta, todavia desde cedo, demonstraste um lado carinhoso, meigo e ternurento que te caracteriza. Apesar da diferença de idades ser significativa, juntos partilhámos brincadeiras, abraços, alegrias e tristezas, gargalhadas e surpresas.
Já venceste obstáculos nesta corrida da vida e estive ao teu lado. Quero que saibas que, quando as pedras aparecerem no caminho, já não é altura de ser eu a tirá-las, mas vou ajudar-te a ultrapassá-las e, se preciso for, a levantar-te sempre que tiveres tropeçado.
Eu sei que grande parte dos irmãos elogiam-se mutuamente, num desafio sem vencedores. Mas tenho em certeza que, não há irmãos com a cumplicidade e empatia que criámos. Tão bem como ninguém, sabes se estou bem ou mal. Sabes vir abraçar e envolver de carinho quando sentes que as palavras já não passam de meros aglomerados de letras. Sabes ficar ali, apenas ficar, quando a solidão acompanhada tem de ser combatida. Sabes ser tu. Sabes ser único.

Por só isto e tanto mais, obrigada por, naquela noite, teres chorado pela primeira vez em jeito de anunciar a tua chegada. Por teres resistido e seres um vencedor. Por teres crescido e estares a tornar-te no homem que serás no futuro. E, em especial, obrigada por me teres ensinado a amar incondicionalmente.  

A tua irmã

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