domingo, 22 de junho de 2014

Desconhecido*


["Então por que é que não pára de olhar para o verbete dessa mulher desconhecida, como se de repente ela tivesse mais importância que todos os outros?" "Precisamente por isso, meu caro senhor, porque é desconhecida." (J.S.)]
Qual será a razão para o desconhecido nos fascinar tanto? Chegamos ao cúmulo de trocar o certo pelo incerto, motivados pela ânsia de descobrir o que ainda não foi descoberto. Perseguimos sonhos que não sabemos se passarão de singelos desejos imaginados. O nosso interesse aprisiona-se a pessoas que, não são somente um quebra-cabeças para a nossa mente, são enigmas para o coração. E o que poderá ser mais desconhecido que os sentimentos? Todos sentimos, ninguém sabe explicar. No entanto, é graças a eles que sobrevivemos e, sobretudo, que vivemos. São eles que, embora desconhecidos, nos fascinam.
Algo inesperado acontece. Qual é o nosso impulso? Tentar saber o que sucedeu. Tentação primária que nos move e nos faz ter um objetivo: o de descobrir o que nos está oculto. Todavia, quando o passamos a conhecer, o interesse dissipa-se. Voltamos a ser seres insaciados por algo novo, por algo desconhecido.
Confessemos, pouco ou nada há mais fascinante do que aquilo que desconhecemos.

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