Vi-te assim que nasceste, ser tão
pequeno e indefeso. Nesse momento, soube que passaria a ter a obrigação de te
proteger, de cuidar de ti, de te ajudar a crescer e, em troca, passaria a ter a
honra de te amar. Foi uma alegria imensa quando me apercebi que existias e eras
real. Talvez pela minha tenra idade, talvez pela emoção do momento, não
alcancei, naquele instante, todas as maravilhas de fazeres parte da minha vida.
No entanto, desde o primeiro segundo, senti que nunca mais iria estar sozinha,
pois tinha um irmão para a vida. Era (e ainda sou) a irmã mais babada do mundo.
O tempo foi passando e tu foste
crescendo. Eras uma criança traquina e muito irrequieta, todavia desde cedo,
demonstraste um lado carinhoso, meigo e ternurento que te caracteriza. Apesar
da diferença de idades ser significativa, juntos partilhámos brincadeiras,
abraços, alegrias e tristezas, gargalhadas e surpresas.
Já venceste obstáculos nesta
corrida da vida e estive ao teu lado. Quero que saibas que, quando as pedras
aparecerem no caminho, já não é altura de ser eu a tirá-las, mas vou ajudar-te
a ultrapassá-las e, se preciso for, a levantar-te sempre que tiveres tropeçado.
Eu sei que grande parte dos
irmãos elogiam-se mutuamente, num desafio sem vencedores. Mas tenho em certeza
que, não há irmãos com a cumplicidade e empatia que criámos. Tão bem como
ninguém, sabes se estou bem ou mal. Sabes vir abraçar e envolver de carinho
quando sentes que as palavras já não passam de meros aglomerados de letras.
Sabes ficar ali, apenas ficar, quando a solidão acompanhada tem de ser
combatida. Sabes ser tu. Sabes ser único.
Por só isto e tanto mais,
obrigada por, naquela noite, teres chorado pela primeira vez em jeito de
anunciar a tua chegada. Por teres resistido e seres um vencedor. Por teres crescido
e estares a tornar-te no homem que serás no futuro. E, em especial, obrigada
por me teres ensinado a amar incondicionalmente.
A tua irmã
