sábado, 19 de julho de 2014

...* (Parte I)



            A pedido de muitas famílias (bem, talvez só uma ou outra, mas que para mim são das mais importantes) hoje deixo-vos com algo diferente. Espero que gostem.


"Olhava o mar. Sentado no areal, afastara-se dos seus amigos e, somente, observava a imensidão daquele mar. Um olhar vago.
Pensava nela, na última vez que a vira, nas últimas palavras que trocara. Sem se aperceber, esboçava um sorriso parvo. Tentava ocultá-lo dos amigos, razão pela qual se afastara do grupo que animadamente conversava sobre as conquistas da noite anterior. Não era de se apaixonar ou prender a alguém. Gostava da liberdade que a sua jovem idade lhe permitia. No entanto, ela parecia que o tinha enfeitiçado. Não entendia como acontecera, nem sabia quando ficara preso àquele olhar. Talvez, tivesse sido logo na primeira vez que se apercebeu que ela existia, ou quando começaram a falar. Ao certo, não o sabia. Porém, a certeza tinha de que ela mexia com ele.
Não podia tardar o regresso para a toalha e para se integrar na conversa do grupo, mas algo o fez permanecer ali mais um pouco. O telemóvel vibrou: uma mensagem dela. Mostrou um sorriso ainda maior do que aquele que já tinha. Ela estava a tentar meter conversa, perguntando como estavam a correr aqueles primeiros dias de férias. Todavia, ele não respondeu. Não queria ficar mais ligado a alguém que nem se assemelhava às raparigas com quem costumava sair. Preferia abstrair-se da estranha sensação que sentia quando o seu pensamento voava até ela. Decidiu ignorar. Apagou a mensagem. Olhou o mar de frente, enquanto produzia uma expiração forçada. Não podia pensar mais nela, contudo isso não conseguia controlar. Ouviu o seu nome. Eram os amigos a chamá-lo. Estava na altura de se juntar a eles. Levantou-se, sacudiu a areia e correu até à toalha. Queria que todos os pensamentos que envolvessem a rapariga ficassem à beira-mar. Nesse dia aprendeu que nem tudo acontece só porque o queremos…  

***

Ficou à espera que ele respondesse. Olhava impacientemente o visor do telemóvel, na esperança que a luz se acendessem em sinal da chegada de novas palavras. Tentava abstrair-se, mas a sua atenção acabava sempre por se focar naquele retangulozinho. Não entendia aquele silêncio. Só queria ser simpática e aproximar-se, para que pudesse vir a ser sua amiga. Pelos vistos, ele não queria a sua amizade. O tempo ia passando e a esperança começava a desvanecer-se. Ela recordava com carinho a última vez que vira aquele sorriso, aquele rosto, aquele olhar. Sentia saudades e uma vontade enorme de o abraçar. No entanto, ele parecia querer espaço, distância. 
Pegou num fino casaco, nas chaves de casa e saiu, deixando para trás o telemóvel. Não sabia muito bem para onde ir, apenas sabia que tinha de ir. Ir para esquecer, talvez para fugir dos pensamentos, de si própria."
(Continua...) 

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