Aqui, ao olhar o horizonte,
lembro-me de ti. Lembro-me da tua inexplicável partida, da tua fuga sem
fundamento. Não dói. Eu compreendo. No mesmo instante, assombram-me todas as
palavras que ficaram por dizer, os olhares por trocar, os beijos por roubar, os
sorrisos para aquecer, as discussões para esquecer. E, agora sim, dói. Magoa
não teres oportunidade para viver, para partilhar momentos, para sermos
felizes, lado a lado, juntos. Dói saber que partiste para os braços de outro
alguém e que é a esse alguém que vais dar e com quem vais partilhar o melhor e
o pior de ti. Dói saber que não foi a nós que deste essa possibilidade.
Continuo a olhar o horizonte,
esse que sei que um dia também olhaste. Não o olhamos ao mesmo tempo, no mesmo
tempo. O horizonte é o mesmo, nós não. Olha-o ao lado da alma que te acolhe nos
seus braços e sorri ao saber que olham juntos na mesma direção. Eu olho-o,
aqui, sozinha e a lembrar-me de ti, de que és as reticências de uma história
repleta de pontos de interrogação e que espero que, em breve, tenha um ponto
final.
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